Presidente do Boca Júnior sergipano batizou o filho com o nome de Riquelme. Time também tem um River Plate como rival, mas clássico nunca aconteceu
Quem não é corintiano corneta: 'o Boca é o Brasil na final da Libertadores'! A frase representa muito mais o anticorintianismo dos rivais do que propriamente simpatia pelo futebol argentino. Mas isso não significa que o time do craque Riquelme não tenha seus admiradores em solo brasileiro. Em Sergipe, o apreço pelo Boca Juniors fez com que um grupo de amigos criasse o Boca Júnior, versão aportuguesada para homenagear a tradicional equipe argentina.
Um dos fundadores, Gilson Behar, hoje presidente do clube, é tão apaixonado pelo Boca que acabou batizando o filho com o nome do maior ídolo do clube na atualidade. Riquelme Miguel da Silva Santos tem nove anos e dá os primeiros toques na bola. O garoto sonha ser um jogador de futebol e seguir os passos do xará famoso.
O Boca Júnior nasceu em 1993 como escolinha de futebol, na cidade de Cristinápolis, distante 115 km de Aracaju. O currículo recheado de títulos do time argentino, a festa que os apaixonados torcedores faziam na Bombonera e a idolatria por Maradona acabaram motivando a homenagem. O time usa o nome e as mesmas cores do 'hermano rico', porém o escudo é diferente.
- Quando nos profissionalizamos, a CBF nos orientou a mudar pelo menos o escudo do time, pois seria complicado registrar-nos 100% igual ao time argentino. Por isso mudamos só o escudo, no mais seguimos toda a linha do Boca - comentou o mandatário do clube.
A profissionalização veio somente em 2004. Com ela uma ascensão meteórica. Logo no primeiro ano a equipe conquistou o título da Série A-2 do estado. Em 2007, obteve outra conquista da segundona. Mesmo sem títulos, a equipe realizou boas campanhas na elite do Campeonato Sergipano, mas desde a queda em 2008, não conseguiu mais voltar para a 1ª divisão.
Em 2012, o Boca Júnior tentará mais uma vez o acesso. O elenco está sendo formado para a disputa da segundona, prevista para começar no mês de setembro. É desejo da diretoria reforçar o grupo com dois jogadores argentinos: um meia e um atacante, que seriam emprestados pelo Argentino Juniors. Eles estão apalavrados com o time e devem chegar nas próximas semanas.
Zagueiro atuou por genéricos
Um dos grandes reforços do time para a 2ª divisão do Sergipano é o experiente zagueiro Denis Clay. O jogador já defendeu as camisas de Corinthians e Boca. Não as dos finalistas da Libertadores, mas a dos genéricos do Nordeste brasileiro.
Após ter defendido o Boca Júnior por algumas temporadas, Denis retornou para tentar ajudar o time a subir de divisão. Antes disso, em suas andanças pelo mundo da bola, chegou a jogar no Corinthians Alagoano.
- Tive a felicidade de passar pelos dois genéricos dos finalistas da Libertadores. Neste duelo, a minha preferência é o Boca Júnior, pois aqui vivi momentos valiosos na minha carreira e pude contar com o carinho dos torcedores e da diretoria. Apesar de gostar do Corinthians Alagoano, meu coração bate mais forte pelo Boca. Mas na final da Libertadores com certeza vou torcer pelo Corinthians. É time brasileiro e a gente tem que apoiar - disse o zagueiro.
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- Seria um ano perfeito para mim. Ver o time que me revelou campeão da Libertadores e ajudar o Boca de Sergipe a conquistar o título. Vamos trabalhar e torcer para que tudo dê certo - disse Cauê.
Superclássico 'argentino'
Assim como o xará argentino, o Boca Júnior tem um rival chamado River Plate. O adversário nasceu na cidade de Carmópolis e foi criado justamente para formar o clássico com o Boca, porém o embate jamais foi realizado, nem em partidas amistosas. Acontece que as duas equipes nunca se encontraram na mesma divisão. Em um verdadeiro efeito gangorra, quando uma figura na elite, a outra labuta na segundona.
A realidade financeira dos rivais sergipanos não é tão parelha como a dos argentinos. Enquanto o Boca Júnior encontra dificuldades para conseguir patrocinadores e passa por dificuldades financeiras, o River é sustentado pela Prefeitura de Carmópolis, município de pomposos recursos vindos do petróleo que produz.
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Boca Itinerante
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- Foi uma mudança bastante produtiva para nós. Cristinápolis é um município pequeno, com pouco mais de 14 mil habitantes. Não nos oferecia uma estrutura adequada, não tínhamos apoio da prefeitura e do comércio local. Era bem mais complicado para conseguir patrocinadores. Quando mudamos nossa razão social para Estância as coisas começaram a mudar. É um município maior, que tem um comércio forte e também um estádio estruturado para mandarmos nossos jogos - disse Gilson Behar.
O Boca Júnior inicia a caminhada rumo à primeira divisão no próximo mês. A espera do time sergipano é que ele possa voltar a viver dias gloriosos no futebol local. O sonho é mudar de ritmo, saindo da melancolia do tango para se embalar em um alegre forró.
Fonte: globoesporte.globo.com
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