terça-feira, 10 de julho de 2012

Para Ronnie Von, é uma barbaridade que homens pintem as unhas


Para Ronnie Von, homem de unha pintada é de 'muito mau gosto'

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"Eu tenho visto umas barbaridades de alguns caras ultimamente, tipo unha pintada, que extrapolam (o limite da vaidade). É de muito mau gosto". O comentário envolvendo a cada vez mais frequente vaidade masculina foi feito por Ronnie Von, nesta quarta-feira (20), durante entrevista concedida a Marcelo Tas, no Tas ao Vivo, exibido pelo Terra. "O cara usar secador, tudo bem. Mas essas coisas de creminho, unha e tal, não dá."

Conhecido como um dos grandes galãs da música brasileira nas décadas de 1960 e 1970, o apresentador do programa Todo Seu, exibido pela TV Gazeta, garantiu que, apesar de passar a ideia de grande vaidade para o público, não é um sujeito muito afeito a elas. "Nós que trabalhamos com comunicação precisamos de certa vaidade. Acho que você não pode ir todo sujo, destrocado. É um compromisso que você tem com quem te assiste. Mas tem um limite."

A forma como Ronnie se destacou na época em que se lançou na música chegou até a ser alvo de uma pontinha de inveja daquele que viria a ser rotulado como o rei dentro do mercado fonográfico brasileiro. Certa vez, Roberto Carlos disse em uma entrevista que nunca se conformou com o fato de os cabelos do colega, apelidado de "o pequeno príncipe", não se desmancharem no palco, enquanto os seus precisavam de tratamento severo para se manterem em um padrão minimamente aceitável. "A última vez que estive com Roberto ele me falou que tinha que fazer toca com meia de mulher para mantê-los, comentando que o meu balançava, balançava e voltava para o lugar (...) Mas, por muito tempo, nem xampu eu usei. Por muitos anos lavei o cabelo só com sabonete mesmo."

A popularidade do hoje apresentador em décadas atrás chegou a tal ponto que uma marca de brinquedos produziu um boneco do cantor, nos moldes daqueles lançados atualmente por bandas como Kiss e Black Sabbath, com direito a guitarra como acessório e tudo. "Eu tenho um amigo querido, o João Gordo, e o sonho dele era ter esse bonequinho. Eu tinha dois e dei um para ele, que se ajoelhou no chão para me agradecer."

Nunca mais
Apesar de ter sido muito por causa da aparência que Ronnie se tornou um rosto conhecido no Brasil, a ele nunca agradou um trabalho no qual posou para uma foto usando apenas cueca para a extinta revista Manchete. Se, hoje, trabalhos do tipo são comuns entre artistas com atrativos físicos, Ronnie se mostra bastante conservador em relação ao tema - e vê o trabalho como, "seguramente, uma das grandes bobagens" de sua vida.

"Olha que idiotice!", apontou ao ver a foto exibida por Tas no cenário do programa. "Me senti uma peça de alcatra sentada em um açougue. Me arrependo tanto disso!"

Mas não é só em relação à imagem com dorso exposto que Ronnie demonstra certo conservadorismo. Se, aos 67 anos de idade, ele aparenta ser, para seu público, um sujeito boêmio e descolado, o discurso aponta algo totalmente distante disso - o que chega a beirar o absurdo ao confessar sequer possuir uma peça de bermuda em sua casa. "Não gosto de frequentar festas, eventos. Fico em casa, onde relaxo. Mas existe um limite para o meu relaxamento. Não me sinto bem de bermuda. Claro, já precisei, usei muito, sou carioca. Mas depois de uma certa idade..."

Preconceito
A beleza e o nome de família rica e tradicional carioca, no entanto, trouxeram mais dificuldades do que facilidades ao cantor no início da carreira. A começar pelos próprios parentes, que viam no jovem Ronnie a pessoa certa para cuidar dos negócios financeiros dos Von Schilgem. Depois de ter sua primeira canção executada em uma rádio - no programa Disco Estrelinha, da estação carioca Tamoio -, Ronnie viu todas as pessoas próximas a ele, que podiam apoiá-lo, se afastarem.

"De repente, fiquei sem suporte da família, porque jogaria o nome dela na lama como um cantor promíscuo, e sem o dos amigos, que viraram as costas para mim porque eu não fazia música engajada, cantava em inglês e sem trazer uma mensagem."

Mas o apoio veio - e bem longe de sua residência em Ipanema, na cidade de São Paulo, onde encontrou músicos e produtores que apostaram em seu talento. "Fui morar na boca do lixo, no centro da cidade e tive que ouvir no rádio um texto que dizia, 'esse calcinha de veludo está ocupando o lugar de alguém que precisa'. Naquela época, pensei muito que podia ter nascido pobre."

Temáticas fáceis
Televisão e mulheres. São esses os dois temas com os quais Ronnie Von parece se sentir mais à vontade durante uma discussão. O primeiro, pelo óbvio fato de ter acompanhado toda a evolução das telinhas ao longo dos últimos 46 anos, quando acrescentou a seu portfolio o cargo de apresentador de programas de entretenimento. E ele mantém uma postura bastante crítica em relação ao assunto.

"Tenho, hoje, uma resistência muito grande em relação à televisão do Brasil", apontou. "Não vamos ser hipócritas, pois vivemos em um país pobre, inculto, desinformado, e é inadmissível que se fuja do princípio básico da TV, que é a informação, a prestação de serviços, a manifestação da cultura. Hoje existe uma doença que é a audiência minuto a minuto e a TV, que deveria funcionar como uma grande escola, não o faz. É impossível se preocupar apenas com a audiência. Muitas vezes você está fazendo um programa impecável, aí dá uma caída, e já falam, 'corta, corta'. Isso é um equívoco."

A paixão com que fala sobre mulheres é praticamente a mesma com a qual aborda a realidade da televisão, porém o tom usado é de admiração e de grande senso de delicadeza: "as mulheres que mais me impressionam são aquelas mais recatadas. Com esse tipo de comportamento, você não tem ideia de como é na horizontal! Aquela que grita, quer aparecer, é como uma tábua de surfe (na cama). A recatadinha, meu Deus do céu!", exaltou.

Ronnie ainda confessou outro grande atrativo que vê no sexo oposto: as garotas um pouco acima do peso. "Gosto porque todos os meus envolvimentos com mulheres assim sempre foram impecáveis, maravilhosos. Comentei com um médico amigo meu isso e ele me explicou o porquê: elas produzem mais testosterona."

Fonte: terra.com.br

Foto: Sandra Ferreira/Jovem Pan Online/JP

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